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O futuro dos computadores - Nanocomputadores Electrónicos


Devido aos nossos cinquenta anos de experiência com aparelhos electrónicos de computação, incluindo a extensa pesquisa e a infra-estrutura industrial criada desde a década de 1940, é provável que os avanços na tecnologia da nanocomputação caminhem neste sentido fazendo com que os nanocomputadores electrónicos se apresentem neste momento como opção mais fácil e mais fiável para o desenvolvimento de nanocomputadores no futuro próximo.

Os nanocomputadores electrónicos funcionarão de modo semelhante à forma como trabalham os microcomputadores actuais. A principal diferença é de escala física. Mais e mais transístores são embutidos em chips de silício a cada ano que passa como se pode comprovar pela evolução dos circuitos integrados capazes de cada vez maior capacidade de armazenamento e poder de processamento.

O limite máximo para o número de transístores por unidade de volume é imposto pela estrutura atómica da matéria e a maioria dos engenheiros concorda que a tecnologia ainda não chegou perto de desse limite. No sentido electrónico, a expressão nanocomputador é relativa; pelos padrões 1970 os banais microprocessadores de hoje poderiam ser classificados como nanodispositivos.

Como funcionam?


O poder e a velocidade dos computadores têm crescido rapidamente devido ao rápido progresso na electrónica de estado sólido que remonta à invenção do transístor em 1948. De fundamental importância tem sido o aumento exponencial na densidade de transístores em chips de computador de circuitos integrados, nos últimos 40 anos. No entanto, nesse intervalo de tempo, não houve nenhuma mudança fundamental nos princípios de funcionamento do transístor.

Mesmo os transístores microelectrónicos com não mais de alguns mícrones (milionésimos de metro) de tamanho são dispositivos de efeito de massa. Eles ainda funcionam utilizando pequenos campos eléctricos impostos por pequenas placas de metal carregadas para controlar a acção de massas de milhões de electrões.

Embora os nanocomputadores electrónicos não vão utilizar o conceito tradicional de transístores para os seus componentes, eles irão ainda operar tendo como componentes de armazenamento de informação as posições dos electrões.

No ritmo actual de miniaturização, a tecnologia de transístores convencionais chegará a um limite de tamanho mínimo, em poucos anos. Nesse ponto, os efeitos mecânicos quânticos de pequena escala, como o tunelamento de electrões através de barreiras feitas de matéria ou campos eléctricos, vão começar a dominar os efeitos essenciais que permitem a um dispositivo semicondutor de acção em massa operar. Ainda assim, um nanocomputador electrónico continuará a representar informação na armazenagem e movimentação de electrões.

Actualmente, a maioria dos nanocomputadores electrónicos são criadas através de circuitos microscópicos usando nanolitografia.

Nanolitografia


A nanolitografia é um termo usado para descrever o ramo da nanotecnologia voltada para o estudo e a aplicação de uma série de técnicas para a criação de estruturas à escala nanométrica, ou seja, modelos com pelo menos uma dimensão lateral entre o tamanho de um átomo individual e cerca de 100 nm.

Um nanómetro é um bilionésimo de um metro, muito menor que a largura de um cabelo humano. A palavra litografia é usada porque o método usado para a criação de padrões é essencialmente o mesmo que para escrever, só que em escala muito menor. A nanolitografia é utilizada na fabricação de circuitos semicondutores integrada de vanguarda (nanocircuitos) ou sistemas nanoeletromecânicos.

Um método comum de nanolitografia, utilizado sobretudo na criação de microchips, é conhecido como fotolitografia. Esta técnica é um método de nanolitografia paralela em que toda a superfície é desenhada num só instante. No entanto, a fotolitografia é limitada no tamanho a que se pode reduzir porque se o comprimento de onda da luz utilizada for muito pequeno, a lente simplesmente absorve a luz na sua totalidade. Isso significa que a fotolitografia não pode alcançar os tamanhos super pequenos de algumas tecnologias alternativas.


Uma tecnologia que permite tamanhos menores do que fotolitografia é a da litografia por feixe de electrões. Usando um feixe de electrões para desenhar um padrão nanómetro a nanómetro, podem ser alcançados tamanhos incrivelmente pequenos (da ordem de 20nm). No entanto, a litografia por feixe de electrões é muito cara e consome mais tempo do que fotolitografia, tornando-se assim uma tarefa difícil para aplicações da indústria de nanolitografia. Dado que a litografia por feixe de electrões funciona mais como uma impressora matricial que como um flash de fotografia, um trabalho que levaria cinco minutos usando fotolitografia levará mais que cinco horas com litografia por feixe de electrões.


Novas tecnologias de nanolitografia estão constantemente a ser pesquisadas e desenvolvidas, levando a menores e menores tamanhos possíveis. A litografia por ultravioletas, por exemplo, é capaz de utilizar a luz em comprimentos de onda de 13.5nm. Embora existam ainda grandes obstáculos neste novo campo, ele promete a possibilidade de tamanhos muito inferiores aos produzidos pelos padrões actuais da indústria. Outras técnicas nanolitografia incluem a chamada dip-pen nanolithography, na qual uma pequena ponta é usada para depositar moléculas numa superfície. Esta técnica pode atingir tamanhos muito pequenos, mas actualmente ainda não podem ir abaixo de 40nm.




Nanotecnologia


O que é a nanotecnologia?

Em termos simples, a nanotecnologia pode ser definida como "engenharia numa escala muito pequena", e este termo pode ser aplicado a muitas áreas de pesquisa e desenvolvimento - da medicina à fabricação e computação, e até mesmo a tecidos e cosméticos. Nanotecnologia (por vezes abreviado para "nanotec") é uma ciência multidisciplinar que estuda como podemos manipular a matéria na escala atómica e molecular, ou seja, é a engenharia de máquinas minúsculas - a capacidade projectada para construir coisas de baixo para cima, usando técnicas e ferramentas que estão a ser desenvolvidas hoje para fazer produtos altamente avançados.
 
Nanoferramentas
Nanoferramentas 

Se numa selecção aleatória de cientistas, engenheiros, investidores e público em geral se perguntar o que é nanotecnologia, receberemos uma série de respostas tão ampla como a nanotecnologia em si. Para muitos cientistas, não é nada surpreendentemente novo, na verdade temos vindo a trabalhar em escala nanométrica há décadas, por meio de microscopia electrónica ou microscopia de varredura da sonda ou simplesmente desenvolvendo e analisando películas muito finas. No entanto, para a maioria dos outros grupos, a nanotecnologia significa algo muito mais ambicioso, submarinos em miniatura na corrente sanguínea, pequenas engrenagens e rodas dentadas feitas de átomos, elevadores espaciais feitos de nanotubos e a colonização do espaço.
 
Nanorobô
O robô nesta ilustração nada pelas artérias e pelas veias usando um par de apêndices na cauda
   
E-coli
Designers da nanorrobótica procuram nos organismos microscópicos a inspiração para propulsão

A nanotecnologia é muito diversificada, variando de extensões da física dos aparelhos convencionais até abordagens completamente novas baseadas em auto-montagem molecular, de desenvolvimento de novos materiais com dimensões na escala nanométrica até à investigação da possibilidade do controlo directo da matéria em escala atómica.


 
Num certo sentido, a nanotecnologia é a continuação natural da revolução de miniaturização a que temos assistido na última década, onde a microengenharia e as tolerâncias de milionésimo de metro (10-6 m) se tornaram comuns, por exemplo, nas indústrias automóvel e aeroespacial permitindo a construção de veículos e aviões com maior qualidade e segurança.

Foi a indústria informática que foi forçando os limites da miniaturização e muitos dos dispositivos electrónicos que vemos hoje têm características nano que devem a sua origem à indústria dos computadores - como câmaras, leitores de CD e DVD, sensores de pressão dos airbags e impressoras a jacto de tinta.

A nanotecnologia é fundamentalmente uma ciência dos materiais que tem as seguintes características:
 
  • Pesquisa e desenvolvimento ao nível molecular ou atómico, com comprimentos que variam entre cerca de 1 a 100 nanómetros;
  • Criação e utilização de sistemas, dispositivos e estruturas que têm funções especiais ou propriedades por causa de seu pequeno tamanho;
  • Capacidade de controlar ou manipular a matéria em escala molecular ou atómica.
 
Não há dúvida que a nanotecnologia vai ser o futuro, e todos os estudos estão a tentar diversificar a tecnologia a partir de materiais com dimensões na escala nanométrica para materiais em dimensões de escala atómica. Alguns novos métodos, como a auto-montagem molecular, foram desenvolvidos para tornar isso possível. Pode até haver um futuro em que todas as necessidades comuns básicas, como comida, abrigo e até mesmo diamantes caros sejam feitos por nano robôs.   

Nanorobôs
Nanorobôs perfuradores (imagem por Erik Viktor) 
 

O que é a nanoescala?


A palavra “nanotecnologia” vem do grego “nano” que significa "anão". Um nanómetro é um bilionésimo de um metro, o que é minúsculo, apenas o comprimento de dez átomos de hidrogénio. Apesar de um metro ser definido pela International Standards Organization como "o comprimento do trajecto percorrido pela luz no vácuo durante um intervalo de tempo de 1/299.792.458 de um segundo" e um nanómetro ser, por definição, 10-9 de um metro, isto não ajuda os cientistas a comunicar a nanoescala aos não-cientistas.
 
Embora os cientistas tenham vindo a manipular a matéria em nanoescala há séculos, chamando-lhe física ou química, só com a nova geração de microscópios que foi inventada nos anos oitenta é que o mundo dos átomos e moléculas pode ser visualizado e manipulado. Está na natureza humana relacionar tamanhos por referência a objectos do quotidiano, e a definição de nanotecnologia mais comum é em relação à largura de um cabelo humano.
 
Nanoescala
Exemplos de nanoescala

 A fim de compreender o mundo incomum da nanotecnologia, precisamos ter uma ideia das unidades de medida envolvidas. Um centímetro é um centésimo de um metro, um milímetro é um milésimo de um metro, e um micrómetro é um milionésimo de um metro, mas todas essas unidades ainda são enormes em comparação com a escala nanométrica. Um nanómetro (nm) é um bilionésimo de um metro.
Ao invés de pedir a alguém para imaginar 1/1.000.000 ou um bilionésimo de alguma coisa, o que poucas pessoas sãs podem realizar com facilidade, relacionar a nanotecnologia com átomos muitas vezes faz com que o nanómetro seja mais fácil de imaginar. Isto mostra claramente o quão pequeno é um nano. É ainda menor que o comprimento de onda da luz visível e um centésimo de milésimo da largura de um cabelo humano. Mas ainda é grande quando comparado à escala atómica.

Vamos comparar as diferentes unidades em relação aos metros.

1 centímetro - 100º de um metro
1 milímetro - 1.000º de um metro
1 micrómetro – 1.000.000º de um metro
1 nanómetro – 1.000.000.000º de um metro

Apesar de ser tão pequeno, um nanómetro ainda é grande em comparação com a escala atómica. Um átomo tem um diâmetro de cerca de 0,1 nm. O núcleo de um átomo é muito menor - cerca de 0,00001 nm.
 
Nano
Nanoescala

Geralmente, a nanotecnologia lida com estruturas de tamanho entre 1 a 100 nanómetros em pelo menos uma dimensão, e envolve o desenvolvimento de materiais ou dispositivos dentro desse tamanho. Os efeitos da mecânica quântica são muito importantes nessa escala, que é na esfera quântica. Maior do isto, é a microescala, e menor é a escala atómica.

Referências:
HowStuffWorks
Nanotechnology Now
YouTube

O futuro dos computadores - Nanocomputadores

A discussão científica acerca do desenvolvimento e fabricação de dispositivos à escala nanométrica começou em 1959 com uma palestra influente pelo famoso físico Richard Feynman. Feynman observou que é possível, em princípio, construir e operar máquinas submicroscópicas. Ele propôs que um grande número de dispositivos totalmente idêntico pode ser montado através da manipulação de átomos, um de cada vez


A proposta de Feynman provocou uma onda de interesse inicial mas não foi o suficiente para cativar a imaginação da comunidade técnica ou do público. Na época, a construção de estruturas átomo a átomo parecia completamente fora de alcance. Ao longo dos anos 1960 e 1970 avanços em diversos campos foram preparando a comunidade científica para a primeira manipulação bruta de estruturas à escala nanométrica.

A evolução mais óbvia foi a contínua miniaturização de circuitos electrónicos digitais, baseada principalmente na invenção do transístor por Shockley, Brattain e Bardeen em 1948 e a invenção do circuito integrado por Noyce, Kilby, e outros em 1950. Em 1959, só era possível colocar um transístor num circuito integrado. Vinte anos depois, os circuitos com alguns milhares de transístores eram comuns.

Os cientistas estão a tentar utilizar a nanotecnologia para produzir chips muito pequenos, condutores eléctricos e portas lógicas. Utilizando a nanotecnologia, os chips podem ser construídas um átomo de cada vez e, portanto, não haverá desperdício de espaço, permitindo a construção de  dispositivos muito menores. Usando essa tecnologia, as portas lógicas serão compostas por apenas alguns átomos e os condutores eléctricos (chamados nanofios) terão apenas um átomo de espessura e um bit de dados será representado pela presença ou ausência de um electrão.
Um nanocomputer é um computador cujas dimensões físicas são microscópicas, menores do que o microcomputador, que é menor do que o minicomputador. (O minicomputador é chamado "mini" porque era muito menor do que o computador original (mainframe))
Associada à nanotecnologia, a nanocomputação irá, como tem sido sugerido ou proposto por pesquisadores e futuristas, dar origem a quatro tipos de nanocomputadores:



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