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Quem são os Anonymous?


Organização do Anonymous


O Anonymous não é verdadeiramente uma organização, não no sentido tradicional da palavra. Eles são um grupo grande e descentralizado de indivíduos que partilham interesses comuns e, de certa forma, assombram a Internet. Não há membros oficiais, directrizes, dirigentes, representantes nem princípios unificadores. Pelo contrário, Anonymous é uma palavra que identifica milhões de pessoas, grupos e indivíduos dentro e fora da Internet que, sem revelar as suas identidades, exprimem opiniões diversas sobre vários temas.


Ser Anonymous é muito mais uma qualidade ou uma auto-definição ou invés de definir uma participação em algo. Cada projecto sob a bandeira Anonymous pode ter um conjunto diferente de instigadores. Liderança, quando existe, é informal e realizada em canais de chat, fóruns, mensagens instantâneas e chamadas públicas para acções online.


Origens do Anonymous


O nome Anonymous em si mesmo é inspirado no anonimato sob o qual os utilizadores postam imagens e comentários na Internet. O uso deste termo, no sentido de uma identidade compartilhada, começou em imageboards. Eles são ligeiramente afiliados com a 4chan e outras "chan" (como a 2chan, a 7chan e 711chan), devido ao facto desses sites permitirem postagem anónima, o que lhes permite planear ataques sem revelar qualquer informação de identificação pessoal. Uma marca de Anonymous é atribuída aos visitantes que deixam comentários, sem identificar o autor do conteúdo publicado.


Eles coordenam os ataques em fóruns como 4chan.org ICQ e salas de chat, entre outros locais. 4chan.org é um grande centro, mas não poderá ser considerada realmente a casa dos Anonymous. O Anonops.net estava mais próximo de ser o seu QG, mas foi desligado.


Alguns afirmam que o Anonymous é a primeira supraconsciência baseada na Internet. O Anonymous é um grupo, no sentido em que um bando de pássaros é um grupo. Como sabemos que eles são um grupo? Porque viajam na mesma direcção. Mas em cada  momento, mais pássaros podem entrar, sair, ou retirar noutra direcção totalmente diferente.

No entanto o Anonymous não gosta que lhe chamem "grupo". E muito menos os seus membros gostam de ser classificados como "hackers". Eles são, para usar as palavras de inspiração de ficção científica de um dos seus manifestos,  uma "Consciência Viva Online"

A Hierarquia do Anonymous


Eles têm sido descritos como um grupo anárquico de "hacktivistas", mas já foram revelados alguns detalhes que indicam que a organização está bem hierarquizada com uma liderança oculta de cerca de uma dúzia de hackers altamente qualificados coordenando os ataques na web.

Um dos membros do grupo afirmou que a entrada para os centros de "comando e controle" é apenas para convidados, acrescentando: "É para proteger as pessoas, mas se alguém já se mostrou fiável, é convidado - não é difícil de fazer, não é uma estrutura elitista, mas uma maneira de manter a imprensa e as polícias afastadas de quem emite os comandos".


"O nosso projecto não tem nenhuma estrutura de líderança, apenas funções diferentes. O grau de liderança e organização em vários projectos são muito diferentes", disse um membro de longa data. "É tudo muito caótico, mas comunicamos e cooperamos uns com os outros. Vejo-nos como diferentes células do mesmo organismo."

Os dirigentes do grupo usam o Internet Relay Chat (IRC), tecnologia que pode permitir que grupos de pessoas comuniquem na clandestinidade. Alguns nos escalões superiores alegadamente têm controle sobre várias "botnets", que incluem mais de 1.000 PCs com Windows que foram infectados com um vírus e podem ser controlados sem o conhecimento dos seus utilizadores para direccionar a negação de serviço distribuída (DDoS) contra as organizações-alvo.

 

Historial do hacktivismo do Anonymous


We are Anonymous. We are legion. We do not forgive. We do not forget. Expect us.
-Anonymous

Muito antes de se tornarem vigilantes na cyberguerra à volta do Wikileaks, o grupo chamado Anonymous já realizava ataques em larga escala contra os seus inimigos.

Assaltos ao Habbo Hotel


Provavelmente a primeira vez que os utilizadores do 4chan se uniram sob a alcunha Anonymous foi para assediar os utilizadores do Habbo Hotel, uma rede social cartoonizada e concebido como um hotel virtual. Já em 2006, o Anonymous atacava o Habbo, impedindo seus utilizadores habituais de se movimentar. O primeiro grande ataque é conhecido como o "Grande Raid Habbo de '06", e uma posterior invasão do ano seguinte é conhecido como o "Grande Raid Habbo de '07". Estes ataques parecem estar relacionados com a notícia sobre a proibição imposta a uma criança de dois anos afectada pelo SIDA de entrar na piscina de um parque de diversões no Alabama.



Os utilizadores Anonymous inscreviam-se no site do Habbo utilizando avatares de um homem negro, com um fato cinzento e um penteado afro e bloqueavam a entrada para a piscina, declarando que estava "fechada devido à SIDA", inundavam o site com provérbios da Internet e formavam suásticas.

Tudo isto foi feito apenas por diversão dado que nesta altura as acções do Anonymous não tinha ainda assumido uma inclinação política.

Hal Turner


Em Dezembro de 2006, o Anonymous atacou este supremacista branco que tem um programa de rádio. Segundo Hal Turner, em Dezembro de 2006 e Janeiro de 2007, indivíduos que se identificaram como Anonymous, sobrecarregaram o seu site o que lhe custou milhares de dólares em contas de banda larga.
Alguns Anons parecem ter aversão ao racismo real, embora eles próprios o manifestem frequentemente em tom de brincadeira.

Chris Forcand


Em 2007, o Anonymous ajudou a capturar um predador infantil na Internet, Chris Forcand, ao fornecer informações à polícia. Nesta altura, o Anonymous começou assumir-se como um grupo de vigilantes na Internet a lutar por causas variadas, ao invés de serem apenas um bando de alegres brincalhões.
Em 7 de Dezembro de 2007, o jornal canadiano The Sun publicou um relatório onde afirmava que, antes das investigações da polícia começarem, Forcand já estava a ser monitorizado por "cyber-vigilantes que procuram alguém que apresente um interesse sexual em crianças". Forcand, de 53 anos, foi acusado de dois crimes por seduzir uma criança menor de 14 anos de idade, tentativa de convidar toque sexual, tentativa de exposição e posse de arma perigosa.
Os Anonymous contactaram a polícia depois de alguns membros terem recebido "propostas sexuais" de Forcand com "fotos nojentas de si mesmo". O relatório também afirmou que esta é a primeira vez que um predador Internet suspeito foi detido pela polícia na sequência de vigilantismo na Internet

A Igreja da Cientologia


Com estes ataques, o Anonymous foi catapultado para a cultura popular e o grupo ganhou a atenção da imprensa mundial para o Projecto Chanology, o seu protesto contra a Igreja de Cientologia.  
Cientologia

Em 14 de Janeiro de 2008, um vídeo produzido pela Igreja com uma entrevista a Tom Cruise surgiu no YouTube. Quando a Igreja tentou retirar este filme constrangedor do YouTube, o Anonymous formou um grupo à parte chamado Projecto Chanology que se dedicou a parar a censura e o assédio desta igreja.
Como forma de protesto contra estas acções da Igreja da Cientologia, que classificaram como uma forma de censura na Internet, os membros do Projecto Chanology organizaram uma série de ataques de negação de serviço contra websites da Cientologia, partidas e faxes em preto para os centros da Cientologia.


Foram também organizados protestos em várias cidades em todo o mundo contra a Cientologia. Eles saíram às ruas, protestando fora das igrejas da Cientologia vestindo "V-máscaras", o disfarce usado pelo herói V do livro de Alan Moore, originalmente inspirada pelo herói popular Guy Fawkes.

Fundação Americana da Epilepsia


O Anonymous assediou a Epilepsy Foundation of America, por meio do upload de conteúdos alegadamente indutores de ataques de epilepsia.

Em 28 de Março de 2008, o fórum de suporte da epilepsia gerido pela Epilepsy Foundation of America foi atingido com um código JavaScript e animações de computador a piscar foram colocadas on line com a intenção de desencadear enxaquecas e convulsões em epilépticos fotossensíveis e sensíveis a padrões.

SOHH e AllHipHop


No final de Junho de 2008, utilizadores que se identificaram como Anonymous reivindicaram a autoria de uma série de ataques contra o site SOHH (Suporte Online Hip Hop). O ataque foi supostamente uma retaliação por insultos feitos por membros da SOHH "Just Bugging Out" no fórum 4chan contra os seus utilizadores.



O ataque contra o site ocorreu em etapas, à mediada que os Anonymous inundaram os fóruns SOHH, estes foram sendo desligados. A 23 de Junho de 2008, o grupo que se identificou como Anonymous organizou ataques DDoS contra o site, com sucesso, eliminando mais de 60% da capacidade de serviço do site.

Em 27 de Junho de 2008, os hackers utilizaram cross-site scripting para alterar a página principal do site com imagens e referências satíricas, manchetes e numerosos estereótipos raciais e insultos, e também conseguiram roubar informações de funcionários SOHH.

No Cussing Club


O Anonymous também atacou o rapaz, que começou No Cussing Club, por razões óbvias. Em Janeiro de 2009 os membros do Anonymous atacaram o adolescente californiano McKay Hatch, que administra o No Cussing Club, um site contra a profanação.


Quando o endereço da casa de Hatch, o seu número de telefone e outras informações pessoais foram divulgados on-line, a sua família recebeu um monte de mensagens de ódio, entregas falsas, muitos telefonemas obscenos, pizza e até pornografia.

Pornografia no YouTube


Em 20 de Maio de 2009, os membros do Anonymous enviaram vários vídeos pornográficos para o YouTube. Muitos desses vídeos foram disfarçados de vídeos familiares ou para crianças, por exemplo, com marcas "Jonas Brothers".



O YouTube removeu quase imediatamente todos os vídeos enviados e quando a BBC contactou um dos uploaders, este afirmou que era um "raid 4chan", organizado devido à remoção dos vídeos musicais do YouTube. A BBC News informou que uma vítima postou um comentário dizendo: "Eu tenho 12 anos o que é isso?" que se tornou um meme da Internet.

Protestos eleitorais no Irão


Na sequência das denúncias de fraudes eleitorais, decorrentes do anúncio dos resultados da eleição presidencial iraniana de Junho de 2009, declarando o presidente histórico do Irão Mahmoud Ahmadinejad como o vencedor, milhares de iranianos saíram à rua e participaram em manifestações de protesto.

Persian Bay


O Anonymous aliou-se ao Pirate Bay e a vários hackers iranianos num esforço para oferecer aos dissidentes iranianos uma maneira de planear manifestações e se ligarem ao mundo exterior. O resultado foi o Anonymous Iran, um site de apoio ao Partido Verde iraniano e um bem sucedido projecto de liberdade de informação.



O site atraiu mais de 22.000 apoiantes no mundo e permite a troca de informações entre o mundo e o Irão, apesar das tentativas do governo iraniano para censurar notícias sobre os protestos na Internet. O site oferece ferramentas aos activistas iranianos e conselhos sobre como manter o anonimato e evitar a detecção. São também disponibilizados fóruns para coordenação das actividades e comunicação com o Ocidente.

Operação Didgeridie


Em Setembro de 2009, o grupo despertou "a fim de proteger os direitos civis", após vários governos terem iniciado acções de bloqueio aos seus imageboards. O ponto de viragem foram os planos do governo australiano para censura da Internet ao nível de dos ISP.

No início da noite de 09 de Setembro, o Anonymous atacou o site do primeiro-ministro com uma negação de serviço. O site esteve fora de serviço cerca de uma hora.

Operação Titstorm


Na manhã do dia 10 de Fevereiro de 2010, o Anonymous lançou um ataque mais preparado com o divertido título "Operação Titstorm".

Titstorm


A desfiguração do site do primeiro-ministro, levou o site Parlamento australiano a estar fora de serviço por três dias e quase conseguiram desligar também o site do Departamento de Comunicações, em protesto contra as mediadas do governo australiano para filtrar e censurar todos os conteúdos da Internet relativos a pornografia com mulheres de peito pequeno (que são vistas como menores de idade) e ejaculação feminina.


Outras entidade com quem já se envolveram incluem a AT&T, Gene Simmons, KnowYourMeme, Hot Topic, Jessi Slaughter, and Tumblr mas eu classificaria estes incidentes apenas como pequenas escaramuças.





E tudo isto sem mencionar a recente Operação Payback, e os ataques contra os governos da Tunisia, Zimbabwe e Egipto.

Quem sabe qual poderá ser o próximo alvo...?

O futuro do ciberespaço


O ciberespaço é infinito?


Entre tudo aquilo que hoje temos como dado adquirido, o ciberespaço está perto do topo da lista. A promessa da Internet para o século XXI é disponibilizar tudo em todo o lado e a qualquer hora. Todas as realizações humanas, toda a cultura, poderão estar em breve à distância de um simples clique.


 Quando estamos online, o ciberespaço pode assemelhar-se muito ao espaço sideral ou, para usar um termo muito em voga, "a nuvem". Parece infinita e etérea; a informação está simplesmente lá fora. Mas se pensarmos sobre a energia do mundo real e o espaço físico ocupado pela Internet, começaremos a entender que as coisas não são assim tão simples. O ciberespaço tem existência real no espaço físico e quanto mais demorarmos a mudar o nosso conceito da Internet de modo a ver claramente as suas características físicas, mais perto estaremos de blogar o nosso caminho para a desgraça.

 Agora, tudo o que lançamos para a nuvem, todas as fotos do Facebook e todos os vídeos do Youtube, estão sempre disponíveis para todos. Mas para manter esse compromisso de disponibilidade são necessários muitos prédios enormes, chamados centros de dados ou, mais apropriadamente dado o crescimento inexorável da Internet, server farms.
server farm

 A fim de manter a disponibilidade total, omnipresente, como todos os utilizadores actuais da Internet esperam, muitas coisas têm que acontecer simultânea e continuamente;

  • Os milhões de unidades de disco rígido que armazenam o conteúdo da Internet têm que ser ligados e girar a milhares de rotações por minuto, não apenas num local, mas também em vários sites espelho;
  • O ar condicionado tem que manter os servidores arrefecidos;
  • Redes eléctricas têm de ser estendidas para alimentar estes sites;
  • Terrenos têm que ser adquiridos e construídas infra estruturas para albergar tudo isto;
  • E um monte de electricidade tem de ser gerada, o que significa produzir muito dióxido de carbono.

O consumo do ciberespaço


Quanta? Segundo alguns especialistas, a nuvem já consome 1 a 2 por cento da electricidade do mundo. Isso é o que é preciso para manter 15 biliões de fotos no Facebook, entreter os muitos milhões que constantemente jogam online e hospedar todos os outros conteúdos que queremos sempre disponíveis. Mas a que custo?
A economia do ciberespaço e das server farms não  tem nenhum mecanismo de auto regulação que limite o seu crescimento. As questões-chave para o negócio são como obter energia barata e como manter o tempo de transmissão em milissegundos. As receitas dos serviços como o Facebook e o YouTube não derivam de custos para os utilizadores logo, do ponto de vista de um utilizador inocente, o ciberespaço é infinito, livre e limpo. Enquanto as pessoas não sentirem nenhum custo ao enviar as suas fotos e vídeos, irão fazê-lo e os seus conteúdos irão ficar na nuvem para sempre. O vídeo livre é como a gasolina livre ou o ar condicionado ar livre: quem não pagar a conta de um recurso irá usá-lo sem restrição. E é exactamente isso que está a acontecer no ciberespaço.
Se ninguém vê os seus vídeos no Youtube, ele precisa estar a ocupar espaço físico em vários discos rígidos de propulsão eléctrica espalhados pelo mundo? Num nível mais profundo, o nosso impulso inexorável para criar uma eterna memória abrangente demonstra o medo do esquecimento. Mas será o esquecimento terrível ao ponto de nos levar a conduzir o planeta mais próximo do abismo, a fim de evitar a perda de qualquer migalha de informação, não importa o quão trivial esta possa ser?
server farm

 Mas eu não estou a sugerir que paremos de utilizar a Internet! Nós inventámos a Internet porque temos que comunicar, partilhar, aprender e trocar ideias. Isso é o que nos torna humanos. Daí o pathos do nosso dilema: o impulso lindo e insaciável que temos de comunicar através de todas as distâncias pode estar a levar-nos mais perto da nossa própria destruição. Se desligarmos o sistema e virarmos as costas ao um sonho da comunicação global poderemos estar simultaneamente a morrer por termos sacrificado o nosso sonho humano comum. Este é o drama mais elevado de existência no século XXI: a grandeza do nosso admirável mundo novo tem um custo.

Que podemos fazer para melhorar o ciberespaço?


Então o que podemos fazer? Podemos reduzir as emissões da Internet, encontrando fontes
alternativas de energia, mas seu crescimento galopante vai rapidamente acabar quaisquer ganhos de eficiência que possamos vir a descobrir. Poderemos fazer evoluir os novos modelos de negócios e de governo com rapidez suficiente para atingir um ponto de inflexão do aquecimento global? Provavelmente não, ainda não o fizemos, apesar de tudo o que já conhecemos.
server farm

 O ciberespaço é um lugar onde as nossas acções podem fazer uma grande diferença. Aqueles 15 biliões de fotos e vídeos no Facebook e sabe-se lá quantos vídeos no YouTube não foram lá colocados pelas petrolíferas, fomos nós! Nós, os utilizadores temos o poder de retardar o crescimento da Internet que se revela asfixiante para o planeta. Temos que encarar as emissões de CO2 produzidas pelas nossas actividades online, como custos internos para o planeta. Podemos começar por revelar consciencialização sobre o problema restringindo os nossos uploads, e mesmo retirando alguns. E se, em vez de 1.000 fotos emissoras de CO2 no Facebook, apenas mantivermos as melhores 200? Se ninguém vê o seu vídeo de karaoke no YouTube, apague-o. Ou, pelo menos, guarde-o onde não necessite de estar sempre a consumir energia.
E se a consciencialização e a auto disciplina não forem suficientes? Vale a pena considerar a possibilidade de haver um custo para a partilha de grandes volumes de informação pessoal, tipo um imposto de upload. É a única maneira de conseguir que a maioria das pessoas pare de fazer upload de enormes quantidades de informação inútil para o ciberespaço; têm que pagar pela energia real e espaço que estão a utilizar. A informação será sempre de livre acesso mas esta ideia é que a informação não deve ser necessariamente livre para distribuir e ocupar espaço nos servidores da Internet. Se deseja publicar mais do que uma certa quantidade, deve ter que pagar o aluguer do espaço físico que os seus megabytes e gigabytes ocupam. Se os uploaders tiverem que pagar, muitas das fotos e vídeos que ninguém vê seriam retiradas da Internet e as consequentes emissões de CO2 provenientes das server farms começariam a declinar. O dinheiro do aluguer poderá ir para o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, por exemplo.

O futuro do ciberespaço tem um preço


Temos que tirar a nossa cabeça da nuvem e voltar à terra firme onde sabemos que alugar espaço custa dinheiro. A proliferação das server farms que alimentam a ilusão do ciberespaço vai engolir mais e mais terras e cuspir mais e mais gases de estufa. Se a experiência de vida que estamos a preservar online nos custar as próprias vidas, então será melhor confiá-la ao efémero e imperfeito espaço de armazenamento conhecido como o cérebro humano e aceitar os riscos dai decorrentes. Se já perdemos a maioria das peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, acho que também sobreviveremos à perda do vídeo do Zé a esmagar a lata de cerveja na cabeça. A questão é, será que os Zés do mundo podem continuar a colonizar a nossa terra e a usar a nossa energia sem pagar por isso? Ou será que os devemos fazer pagar por esse privilégio?
Talvez devamos abraçar uma solução à moda antiga para o desperdício de espaço cibernético em vários sites, que ainda é utilizada por essa forma arcaica de comunicação, a televisão. Quando um determinado programa de TV tem audiências muito baixas, é retirado do ar. Talvez os administradores do YouTube, e sites afins, devessem fazer o mesmo para os vídeos que ninguém vê.
Mas o que fazemos à liberdade de expressão?
Outros clamam que o consumo energético da Internet é trivial comparado com os benefícios que trouxe nomeadamente em termos de divulgação de mensagens ecológicas e despertar de consciências para o problema do aquecimento global.
O que acham?